Toronto não estava nos nossos planos.

Não tinha show do Paul McCartney.

Não era o destino dos sonhos.

Mas quando já estamos atravessando o continente atrás de um Beatle, três dias extras no Canadá pareciam uma ótima ideia.

Foi assim que Toronto entrou na nossa história.

Como uma Bonus Track.

Tem uma frase que eu gosto muito que diz: “A viagem são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos.” , de Fernando Pessoa.

Toronto é uma cidade bonita, moderna, relativamente grande. Com certeza tem muito mais para se conhecer e certamente levaria mais do que apenas 3 dias.

Por isso eu sempre digo, essa foi a NOSSA experiência. Apresento a vocês a nossa Toronto!

Chegamos na cidade vindos de Nova Iorque. Voo rápido, avião pequeno, pela Air Canada.

Dica de viajante

Turistas brasileiros com visto americano válido, que chegam por via aérea, não precisam do visto canadense. Basta solicitar – com antecedência – uma Autorização Eletrônica de Viagem (e-TA). O processo é rápido e barato, no site oficial do país, disponível em inglês e francês. Chega no e-mail cadastrado pouco tempo depois.

  • custo: CAN$ 7
  • Online – não precisa tê-lo impresso, eles já têm a documentação no sistema.
  • Validade de 5 anos, mas se você mudar o passaporte (por qualquer razão) vai ter que solicitar um novo eTA.

Ok.

Descemos do avião cheios de confiança.

A imigração foi tranquila e bastante rápida.

Alguns minutos depois estávamos rodando em círculos procurando o ônibus certo.

Um apontava para um lado.

O outro dizia outra coisa.

Até que finalmente encontramos o portão R, parou um ônibus e embarcamos nele. Não era o número que apareceu no google, mas deu certo. O busão te leva até a estação Kipling, onde você vai pegar o metrô pro seu destino final.

Dica de viajante

  • Tarifa – CAN$ 3,30
  • Pagamento – PRESTOCard, dinheiro (precisa ser exato pois o motorista não dá troco) ou cartão internacional (débito/crédito).

Escolhemos ficar em um Airbnb. Usamos bastante essa modalidade de hospedagem e sempre que possível escolhemos um espaço inteiro para nós dois. Dessa vez não foi possível($$). Ficamos hospedados num quarto na casa de um local. E foi uma experiência bem legal. Nossa anfitriã era uma senhora muito simpática, que nos deixou bem a vontade. A vizinhança era tranquila, uma área bem residencial, sem muito movimento e próximo a uma estação de metrô.

Confesso que não me preparei muito para conhecer o Canadá. A gente meio que chegou lá com alguns pontos marcados no mapa e muitos pontos de interrogação na cabeça. Como a gente também não teria muito tempo para explorar tentamos meio que deixar o roteiro se fazer…

Mas…. percebi que esse definitivamente não é o modus operandi desse casal explorador… Eu sou muito “deslumbrada” e o Daniel não é muito “aventureiro”. Eu gosto de me perder pelo caminho. Ele não gosta de perder tempo à toa. Uma combinação que poderia não dar muito certo, vamos dizer assim. E às vezes não dá mesmo… Mas depois de 30 anos a gente sempre dá um jeito de se encaixar. De toda forma, a gente não consegue funcionar quando as coisas estão muito “livres”!

Dia 01 – Folhas de Maple, Castelo e Beatles onde eu menos esperava

13 de novembro de 2025.

Mapa deslocamento dia 01

Nossa entrada no quarto estava programada para as 16hs, mas nossa anfitriã foi gentil e nos permitiu deixar as malas. Assim fizemos e saímos para explorar a cidade.

O outono é lindíssimo! As folhas canadenses vermelhas, amarelas, espalhadas pelo chão guiaram nosso caminho até nosso primeiro ponto de interesse: a famosa Casa Loma. É um castelo lindíssimo, construído em 1914 por um magnata canadense, para ser sua residência. Atualmente é patrimônio histórico e uma das principais atrações turísticas e espaços para eventos de Toronto.

Nós optamos por não conhecer por dentro porque nosso tempo (*e recurso*) era escasso. Mas eu confesso que fiquei tentada… Talvez numa próxima visita eu inclua no nosso roteiro. Eles decoram a casa em eventos sazonais, como o Halloween e o Natal. Quando nós fomos, estavam iniciando os preparativos pro Natal e acho que ainda não estaria completamente pronto. O ingresso custaria CAN$45(R$165,00) para o público geral – achei salgado!

Seguimos pela Baldwin Steps e caminhamos pela longa Spadina Road até chegarmos na cidade universitária, sempre guiados pelas folhas de maple.

A Universidade de Toronto é  tida como a melhor do país  e figura como top 17 do mundo. O complexo universitário é lindo! Vale muito um passeio. E pra gente que já saiu da faculdade há algum tempo, dá até uma vontadinha de voltar pra sala de aula…

E aqui nosso passeio teve uma reviravolta nada inesperada.

Eu disse que não ia ter show do Paul, mas isso não impede de ter histórias dos garotos de Liverpool. Engana-se quem pensa que essa seria uma aventura meramente turística e convencional! Minha beatleaspedia particular disse que em 1969 John Lennon se apresentou no Varsity Stadium durante o festival Toronto Rock and Roll Revival com sua banda Plastic Ono Band. Seria primeira apresentação ao vivo de um membro dos Beatles fora da banda. A apresentação foi gravada e se tornou o álbum “Live Peace in Toronto 1969.

Já era umas 4 horas da tarde quando a chuva apertou e fomos ao Fresco´s Fish and Chips, que o Daniel tinha selecionado com base nas avaliações. Ele jura que não sabia, mas olha o que encontramos ao entrar no restaurante!

Seria mesmo coincidência???

Era inteiro temático! Foi uma surpresa! O atendimento também foi muito bom, o rapaz que nos atendeu era muito simpático e conversamos por algum tempo, comemos e bebemos. O cardápio era relativamente farto e além dos fish and chips tinham algumas opções vegetarianas também.

Assim, com a barriguinha cheia, o corpo cansado e o coração quentinho, voltamos pra casa e finalizamos o primeiro dia.

Dia 02 – Chocolate quente, BeaverTails, CN Tower e…ops, Beatles de novo

14 de novembro de 2025.

Mapa deslocamento dia 02

Começamos nosso dia em um dos milhares de Tim Hortons da cidade. E desbloqueamos um novo vício… Adoramos o café, o chocolate quente, o French Vanilla, tudo bom demais! (Saudades…)

Dessa vez o café ficava no College Park, um shopping que está conectado ao PATH, o sistema de “túneis” feito para facilitar a vida dos canadenses no inverno. É como a Toronto escondida embaixo de Toronto!

Dica de viajante

O PATH conecta várias áreas da cidade por um sistema de ruas subterrâneas e climatizadas, perfeitas para andar confortavelmente de um lugar ao outro sem precisar enfrentar as temperaturas negativas, o vento e a neve. Mas não espere nada futurista ou cinematográfico… Você está andando no shopping e, de repente, já está no PATH e nem percebeu. É um pouco decepcionante, mas não deixa de ser interessante. O problema é que as rotas subterrâneas não aparecem no Google Maps, então é muito fácil se perder também… Siga andando e deixe isso acontecer!

Seguimos para o Maple Leaf Gardens, onde – adivinhem – os Beatles tocaram seis vezes. Olha eles aí de novo! Lembra que eu falei que a nossa anfitriã tinha assistido a um show quando era criança? Então. Foi aqui!

O último show na cidade foi em 17 de agosto de 1966 para uma plateia de 18 mil pessoas e cada ingresso custou entre 4 e 5 dólares. Dá pra acreditar? Para muitas informações do universo Beatle e fotos como essa, você deve seguir o instagram do Daniel.

E chegamos na “Times Square” torontoniana, a Dundas Square. Claro que não chega nem perto, mas é cheia de telões e letreiros coloridos.

A Nathan Philips Square é a praça que abriga a Prefeitura de Toronto, o letreiro da cidade, o prédio da antiga prefeitura que agora abriga o complexo judiciário de Ontário. É uma praça muito bonita com o contraste entre arranha-céu moderno da Prefeitura atual e a construção histórica da antiga Prefeitura. Ambos muito bonitos.

De lá pegamos um bonde elétrico para ir até o Distillery District. Mas só vale pela experiência e para economizar as pernas por uns minutos. Se tiver disposição, faça o percurso a pé, que dá praticamente o mesmo tempo…

Tava tendo uma feirinha de Natal muito gostosa lá. E aproveitamos para viver a culinária local: tomamos o famoso chocolate quente da SOMA, experimentamos o Poutine e ainda curtimos as lojinhas do local e as barracas da feirinha. Seguimos até o St. Lawrence Market e depois até a margem do lago Ontário.

A vista da “orla” proporciona um momento de contemplação e relaxamento. E foi ali, à beira do lago, que provamos o rabo de castor — o BeaverTail – uma massa frita, achatada e coberta com o sabor a sua escolha. O nosso foi com a tradicional calda de bordo. Vale a pena experimentar, uma iguaria que combina sabor e autenticidade canadense!

O ponto alto do dia de hoje – literalmente – foi a CN Tower. A torre pode ser vista de várias partes da cidade e a visão lá de cima é muito legal. Dá pra ver as várias ilhas que integram a cidade, a enormidade do lago Ontário, e a selva de pedras que é Toronto. O ingresso também não é nada barato, CAN$ 47 (aproximadamente R$ 175), mas como diz o ditado, quem converte não se diverte. Quem tem medo de altura vai se incomodar com os mais de 550 metros acima do chão, mas a vista é bem impressionante.

Dia 03 – Lavanderia e Hockey no gelo

15 de novembro de 2025.

O dia estava especialmente feio. Chuva, vento e frio. Então não passeamos muito. E tivemos que lidar com questões que quem viaja por muito tempo só com uma malinha de mão conhece: laundry!

Sofremos um pouco. Chovendo e tivemos que procurar um ATM pra sacar dinheiro porque as maquinas da lavanderia só aceitava moedas. Sacamos CAN$ 20, mas quando voltamos, a máquina só trocava notas de até CAN$10.

Gente, que dificuldade pra lavar roupa! Mas no fim deu tudo certo. Um senhorzinho nos ajudou trocando nosso dinheiro e finalmente cumprimos nossa missão.

E aí vivemos uma experiência muito diferente! Depois de lavar a roupa suja, fomos assistir a um jogo de Hóquei no gelo!

Os jogos da liga profissional são bem caros, com ingressos para mais de CAN$100. Mas hoje ia ter um jogo da liga universitária, por módicos CAN$ 15 (R$ 50). Então nós voltamos para o Varsity Blues e torcemos muito. O hockey é um jogo super dinâmico. E meio violento. Confesso que no início estávamos super animados na torcida! Mas depois de um tempo cansou um pouco. O jogo durou cerca de 2 horas. E apesar da torcida, o time da casa não obteve êxito e saímos sob derrota.

E essa foi nossa experiência de Toronto. Esses foram os nossos gastos.

Quanto gastamos em Toronto (3 noites, 2 pessoas)

  • Passagens aéreas Nova Iorque-Toronto (Air Canada): 16.000 milhas Smiles + R$ 324,24 (taxas)
  • Transporte público: CAN$ 39,60 = R$ 144,59
  • Alimentação: CAN$ 192,32 = R$ 702,22
  • Ingressos: CAN$ 136,22 = R$ 497,38
  • Lavanderia: CAN$ 14 = R$ 51,12
  • Hospedagem: R$ 1.419,16
  • Lembrancinhas: CAN$ 9,03 = R$ 32,97

Total: R$ 3.171,68

A cidade é bonita, moderna, mas não me despertou aquela paixão.

Sabe aquela sensação de receber um prato incrível, mas sem tempero?

Voltaríamos, claro. A depender do Paul…

E você? Já foi para Toronto e sentiu esse mesmo distanciamento ou foi amor à primeira vista?

Me conta aqui embaixo!

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